A Vila de Monsaraz
    Monsaraz é uma das muitas jóias da vasta planície alentejana.

    Implantada no topo de uma colina alentejana, esta povoação é uma preciosidade a descobrir, das mais belas localidades de Portugal, rodeada pelo maior lago artificial da Europa – o Alqueva.

    Vila medieval, potencial candidata a Património da Humanidade, Monsaraz é caracterizada pelas suas ruas estreitas lajeadas a xisto, ladeadas por casinhas pequenas de um ou dois pisos, igualmente construídas em xisto, material abundante na região, impecavelmente caiadas de branco, algumas delas abertas aos turistas como lojas de artesanato e produtos regionais, sobretudo cerâmica, mel, vinhos e tapeçarias.

    O acesso ao interior amuralhado da Vila é feito através de quatro portas talhadas em granito, duas de arco gótico – a Porta da Vila e a Porta de Évora – e duas de arco pleno – a Porta da Cisterna ou do Buraco e a da Alcoba. Toda a cerca assenta no uso mesclado do xisto regional, granito, argamassa de barro vermelho e cal, fruto de intervenções sucessivas.

    O património civil e religioso desta vila, classificada como Imóvel de Interesse Público é bastante invulgar, uma vez que reúne obras híbridas dos estilos góticos, barrocos e manuelino. A maior parte das construções antigas encontram-se ao largo da Praça Velha, e o mais significativo será provavelmente a Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa.


    Património Arquitectónico

    Porta da Vila

    Robusta estrutura defensiva está protegida por dois cubelos semicilíndricos. O de poente, coroado pelo campanil caiado do relógio, com vista para o Arrabalde e Aldeia do Telheiro, possui um tecto nervurado e, no cimo da cúpula um sino fundido pelos artistas estrangeiros Diogo de Abalde e Domingos de Lastra, com inscrição de 1692. Sobre o arco ogival da porta, uma lápide de mármore comemora a consagração do Reino à Imaculada Conceição por D. João IV ( 1646). No dorso da ombreira, vislumbram-se a vara e o côvado, medidas usada na época.


    Castelo de Monsaraz

    Foi edificado em 1310 por D. Dinis, a partir de uma estrutura defensiva anterior. Constitui um exemplo clássico da arquitectura militar do princípio do século XIV, tendo sido ampliado por D. João IV, e reconstruídas as muralhas em meados do século XVII. Em 1640, recebeu o novo sistema defensivo para possibilitar a prática de artilharia, com a implantação dos fortes ao estilo Vauban. A Torre de Menagem, de planta pentagonal construída em granito nos começos do séc. XIV, conserva abóbadas ogivais nos seus dois andares: o Térreo, o antigo cárcere e depois armazém de armas; o cimeiro, sala nobre da alcaidaria com larga porta gótica e janela quinhentista.
    Ao subirmos à torre de Menagem, poderemos compreender as dificuldades do inimigo em aceder ao monte e admirar todo o casario e a beleza da paisagem circundante, proporcionada pela Barragem do Alqueva.
    Dentro do castelo podemos encontrar um pequeno recinto, onde se realizam pela altura das festas da Vila, Touradas e Vacadas.


    Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa

    Contemporânea do repovoamento cristão da vila. Foi sempre o templo mais importante da povoação, e a referência mais antiga que se lhe conhece data do tempo de D. Dinis. A construção actual data do séc. XVI, é um edíficio de planta quadrangular, com três naves do tipo de salão, guarnecido por um altar-mor em boa talha dourada com duas grandes esculturas em madeira de Santo Agostinho e de Santa Mónica, oriundas do antigo Convento dos Agostinhos Descalços da Orada. O elemento mais importante que a igreja guarda no seu interior é, sem dúvida, a arca tumular em mármore branco de Gomes Martins Silvestre, cavaleiro templário e povoador de Monsaraz.


    Edifício dos Paços da Audiência

    Situado ao lado da Igreja Matriz, é o mais antigo imóvel adstrito a funções públicas, construído na transição dos séculos XIV-XV. Foi remodelado posteriormente, mas ainda apresenta restos da primitiva arquitectura gótica. No seu interior poderemos encontrar uma exposição permanente de arte sacra e ostenta um fresco alusivo à justiça.


    Igreja de Santiago

    Já existia na segunda metade do séc. XIII. Pertencia a Martins Anes e ao Bispo de É Durando Pais. A construção actual é obra do reinado de D. José I. Actualmente funciona como espaço de cultura onde se realizam exposições, conferências, pequenos espectáculos, etc.

    Ainda no Largo, encontramos o Hospital e a Igreja da Misericórdia, fundada em 1525, donatária de um interessante retábulo de pintura primitiva portuguesa.


    Cisterna da Vila

    A mais importante cisterna de Monsaraz, construída em finais do séc. XIV, princípios do séc. XV, é uma obra de engenharia hidráulica, sendo de notar a técnica construtiva, onde se podem ver grandes arcos de volta perfeita paralelos e silaria regular.




    Ermida de S. João Baptista – Cuba

    É o mais antigo monumento de Monsaraz com pinturas a fresco de 1622. Sendo inicialmente um edifício fúnebre, ou um pequeno santuário muçulmano de domínio almóada ( séc. XI-XII), foi cristianizado no séc. XIV.


    Ermida de Santa Catarina

    Esta Ermida acastelada fica situada nos arredores de Monsaraz, entre a vila e o “outeiro da forca”. Admite-se ser obra contemporânea da preponderância templária em Monsaraz, talvez dos fins do séc. XIII ou princípios do séc. XIV.


    Convento da Orada

    Situado perto da aldeia do Telheiro, é uma construção do séc. XVII, cujas origens remontam a D. Nuno Alvares Pereira.

    Este Convento albergou até aos princípios do séc. XIX a Ordem dos Agostinhos Descalços.

    O Edifício de planta quadrada com claustro central, torna-se imponente pela solidez das suas paredes de xisto, respeitadas pelo passar do tempo.

    É constituído por um museu arqueológico e diversas salas para exposição ou eventos.



    Herdade do Esporão

    Aqui podemos encontrar a Torre do Esporão, antigo solar dos Mendes de Vasconcelos ( séc. XVI), a maior e mais antiga defesa da região de Évora, com os seus limites actuais fixados no séc. XIII e ainda o edifício coevo a esta, a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, do séc. XVI.
    Actualmente a Herdade do Esporão é famosa pela produção de vinho. O seu proprietário abriu um restaurante nesta herdade vinícola a fim de proporcionar aos visitantes uma boa refeição e prova de vinhos, após a visita à propriedade. Encontra-se aberto apenas ao almoço.


    Igreja Matriz de Reguengos de Monsaraz

    Construída em 1887, com o projecto do Arquitecto António José Dias da Silva, apresenta características do espírito romântico da época neo-gótico.




    Ermida de Nossa Senhora do Rosário

    Construção do séc. XVI, com fases posteriores do séc. XVIII, fica situada junto à povoação de S. Pedro do Corval, encontra-se neste momento em processo de classificação patrimonial.


    Património Arqueológico


    O Concelho de Reguengos de Monsaraz, apresenta uma grande riqueza e variedade de monumentos megalíticos. Encontram-se nesta região megálitos de todos os tipos desde antas, menires isolados e em grupo, podendo considerar-se alguns belos e interessantes exemplares no contexto da pré-história europeia.


    Antas do Olival da Pega

    Monumento magnífico, com as suas árvores milenares, situado a 3 Kms de Monsaraz, próximo da Aldeia do Telheiro. A Anta 2 do Olival da Pega, cujo chapéu se encontra apoiado sobre dois esteios, inclui uma câmara e um corredor, a nascente. Trabalhos arqueológicos recentes revelaram que este monumento foi um complexo funerário que inclui, além do dólmen, 4 áreas funerárias anexas. O espólio recolhido mostra ter sido este dólmen uma vasta necrópole colectiva.


    Cromeleque do Xerez

    Inicialmente situado a 5 Kms a Sul de Monsaraz, uns 200 metros a poente da estrada que ligava Monsaraz à antiga ponte do Rio Guadiana.
    Porém, com a construção da barragem do Alqueva, as águas do Guadiana iriam inundar as terras do Xerez, pelo que as pedras afeiçoadas do Xerez foram deslocadas e guardadas durante meses, e foram reinstaladas junto ao Convento da Orada.


    Menir da Bulhôa

    Considerado Monumento Nacional, localiza-se a 4 Kms a Norte de Monsaraz, junto da estrada que liga as aldeias do Telheiro e Outeiro. Menir de granito de secção elíptica, com cerca de 4 metros de altura, gravado nas duas faces. A face mais rica em gravuras, é composta por um álbum de arte simbólica megalítica, onde se encontram figurados, entre outros símbolos, um bastão ou báculo curvo, um sol, ondulados ou serpentiformes e zig-zags.


    Menir Fálico do Outeiro

    Um dos mais notáveis da Europa, igualmente considerado Monumento Nacional, localizado a Norte da estrada que liga as aldeias do Outeiro e da Barrada, a cerca de 5 Kms a Norte de Monsaraz. É um imponente bloco de granito regional, com 5,60m de altura e umas 8 toneladas de peso, tendo no vértice esculpido o meato urinário. É conhecido na região pelo micro topónimo “ Penedo Comprido”.


    Menir da Rocha dos Namorados

    Situado a 9 kms de Monsaraz, a cerca de 500 metros da povoação de S. Pedro do Corval. Monumento natural de granito em forma de cogumelo, com mais de 2 metros de altura. Segundo a tradição, ainda hoje existente, na Segunda-Feira de Páscoa, as raparigas solteiras, cumprindo um rito pagão de fertilidade, lançam uma pedra para cima do menir para consultá-lo em matéria do seu casamento. Cada lançamento falhado representa um ano de espera.


    Menires dos Perdigões

    Composto por um núcleo de 7 menires de granito, a maioria deles fracturados, localizado junto da Horta do Pomar, a 2 Kms a Norte de Reguengos de Monsaraz. Recentemente foi descoberto junto destes um importante povoado pré-histórico.

    Barragem de Alqueva

    A Barragem de Alqueva é o testemunho vivo de uma profunda transformação territorial. Outrora sedentas de água que o rio teimava em escoar para o mar, elas vivem hoje envoltas “ num afectuoso abraço” de azul profundo.

    Com o Projecto do Alqueva pretendia-se construír uma grande barragem que fosse origem de água para um conjunto de infraestruturas de rega que permitissem o devenvolvimento da agricultura alentejana.
    Em 2002 é concluída a Barragem do Alqueva, dando assim início ao seu enchimento. Nesse mesmo ano dá-se início à mudança de uma comunidade inteira, A Aldeia da Luz, constituíndo o culminar de um processo que começou com a construção integral de uma nova aldeia.

    O aproveitamento turístico em volta da albufeira de Alqueva, incitou à criação do projecto Terras Grande Lago – Alqueva, um projecto diversificado tendo por base, o aproveitamento e exploração do espaço da albufeira.

    A albufeira de Alqueva beneficia da instalação de uma rede de oito cais flutuantes, dois deles junto à barragem e seis próximos de aldeias ribeirinhas, para apoio à navegação. Desta forma, possibilita-se o embarque e desembarque dos passageiros e carga, sem recorrer às margens da albufeira, criando condições para a utilização do espelho de água.
    É já conhecida pelo Mar do Interior, dadas as suas dimensões e as infinitas possibilidades de recreação aquática que proporciona, desde a pesca de margem à pesca embarcada, desportiva ou de competição.

    As Terras do Grande Lago oferecem ao visitante sensações únicas.

    Venha navegar… a partir do cais de Monsaraz.


    Nova Aldeia da Luz

    O enchimento da Barragem do Alqueva obrigou à deslocação da população da antiga aldeia, para um local onde a povoação foi construída de raiz, podendo ser visível ainda a velha, semi-submersa.


    Museu da Luz

    O Museu da Luz é um espaço dedicado à identidade e às memórias da antiga Aldeia da Luz.

    Inaugurado em 22 de Novembro de 2003, abriu as suas portas ao público um ano após a mudança da população para a nova Aldeia.

    Na sua origem e motivação está a submersão da Aldeia da Luz derivada da construção da barragem do Alqueva, fazendo com que o Museu se assuma essencialmente como espaço de memória e identidade, e não só um mero repositório de objectos.



    Uma sugestão do Monte d’Avó Chica, é fazer uma caminhada a pé, subindo à Vila de Monsaraz através duma ladeira que se encontra mesmo ao lado do Monte e que vai dar à Porta de Évora, um passeio agradável desfrutando a paisagem alentejana.

    Por todas estas sugestões e pelo ambiente único que se pode sentir neste local, Monsaraz e o Monte d’Avó Chica são locais que merecem uma visita demorada.